Há lugares que conhecemos uma vez e sentimos que já vimos o suficiente. Fernando de Noronha, para mim, definitivamente não é um deles. Em maio de 2026, um ano depois da minha primeira viagem ao arquipélago, decidi voltar. Era minha segunda vez na ilha e, desta vez, havia também um objetivo diferente: registrar melhor a experiência.

Na primeira viagem, em maio de 2025, produzi poucos registros. Dessa vez, fui preparado com câmeras, drones e a intenção de documentar não apenas as paisagens, mas também aquilo que acontece entre uma imagem bonita e outra: os deslocamentos, os imprevistos, os passeios e minhas próprias impressões sobre estar novamente em Noronha.
E os imprevistos começaram antes mesmo de chegar à ilha.
Uma viagem que começou com uma tempestade
Minha viagem estava programada para começar no dia 1º de maio. Saí de Ferreiros, no interior de Pernambuco, com destino ao Recife, de onde partiria o voo para Fernando de Noronha.
O problema é que a chuva resolveu fazer parte da viagem antes mesmo de Noronha.
As condições climáticas estavam ruins tanto em Recife quanto no arquipélago. No caminho para o aeroporto, encontrei uma Região Metropolitana do Recife castigada pelas fortes chuvas e alagamentos. Em determinado momento, meu próprio carro acabou sendo atingido pela água durante as inundações.
Depois de toda a dificuldade para chegar ao aeroporto, veio a notícia: o voo para Fernando de Noronha havia sido cancelado.
A companhia aérea disponibilizou hospedagem e o embarque ficou para a manhã seguinte. Naquele momento, a viagem que já seria curta perdeu praticamente um dia inteiro.
Era frustrante, claro. Mas viajar também é lidar com aquilo que não está no roteiro.
Na manhã seguinte, finalmente conseguimos embarcar.
Finalmente, Fernando de Noronha
Depois dessa pequena saga, finalmente desembarquei novamente em Fernando de Noronha.
A sensação de voltar foi especial. Noronha já havia se tornado um dos meus destinos preferidos desde a primeira viagem. Gosto muito da atmosfera da ilha, da paisagem e dessa sensação de estar em um lugar que funciona em um ritmo próprio.
Existe apenas um pequeno conflito entre mim e Noronha: o calor. Quem me conhece sabe que não sou exatamente um admirador de temperaturas altas. Maio, porém, faz parte do período mais chuvoso da ilha, o que pode trazer temperaturas um pouco mais agradáveis — ao custo, obviamente, de uma maior possibilidade de chuva.
E chuva foi justamente o que não faltou nessa viagem.
Mesmo assim, Noronha continuava impressionante.
A chuva mudava constantemente as condições do dia. Em alguns momentos tínhamos céu fechado; em outros surgia uma oportunidade para aproveitar uma praia, fazer um passeio ou colocar o drone no ar. Foi preciso adaptar o roteiro ao clima e aproveitar cada janela disponível.
Uma viagem mais curta — e muito mais corrida
O cancelamento do voo obrigou a reorganizar praticamente tudo.
Como não era possível alterar a data do retorno, os passeios tiveram que ser concentrados nos dias restantes. Algumas atividades originalmente planejadas acabaram ficando de fora.
Uma delas foi o Entardecer VIP, que não conseguimos realizar devido ao atraso na chegada. Também desistimos do passeio de canoa que aconteceria muito cedo no último dia. Preferimos deixar aquela manhã mais livre para conhecer outros pontos e descansar um pouco antes do voo de volta.
O primeiro passeio depois da chegada foi a bike aquática, na região do Porto.
O vento estava forte naquele dia — algo que também tornou os voos de drone um pouco mais desafiadores —, mas ainda consegui registrar algumas imagens aéreas da ilha.
E essa talvez tenha sido uma das grandes diferenças em relação à minha primeira viagem: desta vez, eu queria trazer Noronha comigo não apenas na memória.
Queria registrar.
Vila dos Remédios e Praia do Cachorro
Também passei pela Vila dos Remédios, uma das áreas mais conhecidas e históricas de Fernando de Noronha.
É ali que estão alguns dos pontos mais tradicionais da ilha e de onde é possível descer em direção à Praia do Cachorro.
Com tanta chuva, porém, até uma caminhada aparentemente simples exigia atenção. As pedras estavam bastante escorregadias e algumas descidas precisavam ser feitas com cuidado.
Foi também durante essas caminhadas que algo curioso voltou a chamar minha atenção: a presença de muitos gatos e cachorros pela ilha. Em meio a praias, construções históricas e vegetação, eles também acabam fazendo parte do cotidiano de Noronha.
Conhecendo a ilha com o Ilha Tour
No dia seguinte foi hora de fazer o Ilha Tour, um dos passeios mais conhecidos para quem visita Fernando de Noronha.
É uma maneira interessante de percorrer diferentes regiões da ilha em um mesmo dia, principalmente quando o tempo disponível é curto — exatamente o meu caso nessa viagem.
E lá fomos nós novamente acompanhados pela chuva.
O roteiro passou por alguns dos cenários mais famosos de Noronha, incluindo a Baía do Sancho, frequentemente lembrada entre as praias mais bonitas do Brasil e do mundo.
Chegar até alguns desses lugares também ajuda a entender uma coisa sobre Fernando de Noronha: visitar a ilha envolve disposição.
Há trilhas, escadas, descidas, subidas e terrenos que podem exigir certo esforço físico. Em alguns momentos da viagem pensei justamente nisso: Noronha é um daqueles lugares que vale a pena conhecer enquanto temos disposição para explorar.
O esforço, porém, costuma ser recompensado assim que a paisagem aparece diante dos olhos.
Baía do Sancho
A Baía do Sancho é provavelmente um dos cartões-postais que melhor representam Fernando de Noronha.
Vista de cima, cercada pelas falésias e pela vegetação, já seria impressionante. Mas a experiência de descer e chegar à praia transforma completamente a percepção do lugar.
Mesmo com as condições climáticas menos favoráveis daquela viagem, estar novamente diante daquele cenário reforçou por que Noronha desperta tanta vontade de voltar.
Não é apenas uma praia bonita. Existe todo um conjunto — relevo, vegetação, mar e isolamento — que faz com que a paisagem pareça muito diferente das praias que encontramos normalmente no continente.
Praia do Leão e a natureza protegida
Outro ponto do Ilha Tour foi a Praia do Leão.
Fernando de Noronha deixa muito evidente que turismo e preservação precisam conviver. Algumas áreas possuem acesso limitado, outras têm regras específicas e determinadas regiões simplesmente não podem ser acessadas pelos visitantes.
Durante os passeios isso aparece o tempo inteiro.
Existem caminhos delimitados, orientações ambientais e até estruturas pensadas para reduzir o impacto da presença humana, como banheiros ecológicos em determinados pontos.
Pode parecer restritivo em alguns momentos, mas é justamente essa preocupação que ajuda a manter aquilo que torna Noronha especial.
Você não está simplesmente visitando uma praia. Está entrando em um ambiente natural extremamente sensível.
Quando a noite chega
Fernando de Noronha não termina quando o sol desaparece.
Em uma das noites, fui ao Forte de Nossa Senhora dos Remédios, onde estava acontecendo um samba. Depois de um dia inteiro correndo de um ponto para outro, foi uma forma completamente diferente de aproveitar a ilha.
E talvez essa seja outra característica que gosto em Noronha: a viagem não precisa ser apenas uma sequência de praias.
Existe a paisagem, claro, mas também existe a Vila dos Remédios, o porto, os fortes, os bares, as pessoas e uma rotina própria que aparece quando os passeios terminam.
Voltar a Noronha
Minha segunda viagem a Fernando de Noronha acabou sendo muito diferente daquela que eu havia planejado.
Tivemos chuva, alagamentos antes mesmo de chegar ao aeroporto, voo cancelado, um dia perdido, passeios cancelados e um roteiro que precisou ser reorganizado às pressas.
Ainda assim, quando penso na viagem, não são esses problemas que definem a experiência.
Noronha continuou sendo Noronha.
Mesmo debaixo de nuvens, entre uma chuva e outra e com um roteiro muito mais apertado do que eu gostaria, consegui revisitar lugares que já conhecia, descobrir outros cenários e, principalmente, registrar muito mais dessa experiência.
Talvez essa seja justamente uma das coisas que mais gosto em viajar: o destino pode ser o mesmo, mas a viagem nunca é.
Em maio de 2025 conheci Fernando de Noronha pela primeira vez. Em maio de 2026 voltei sabendo mais ou menos o que encontraria — e ainda assim vivi uma história completamente diferente.
E depois de duas viagens, continuo com a mesma sensação:
Fernando de Noronha é um daqueles lugares para os quais eu voltaria outra vez.

