Palmas

Capitais Brasileiras · Projeto Visualnew

Palmas

  • Tocantins
  • Norte
  • Viagem 21
  • 26 de setembro de 2026

Palmas: entre o Cerrado, a arquitetura planejada e as águas do Tocantins

Uma passagem pela capital mais jovem do Brasil, entre monumentos, áreas verdes e o pôr do sol às margens do Lago de Palmas

Entre os dias 26 e 28 de setembro de 2026, conheci Palmas, capital do Tocantins, em mais uma etapa do projeto Capitais Brasileiras. Mesmo em uma passagem relativamente curta, a cidade conseguiu mostrar algumas de suas características mais marcantes: avenidas largas, grandes espaços públicos, muito calor, áreas verdes e uma relação bastante próxima com o enorme lago que acompanha boa parte de sua paisagem.

Palmas ocupa uma posição bastante particular entre as capitais brasileiras. A cidade começou a ser construída em 20 de maio de 1989, poucos meses depois da criação do estado do Tocantins pela Constituição de 1988, e foi instalada oficialmente como capital em 1º de janeiro de 1990. É a capital mais jovem do país e também a última cidade brasileira planejada no século XX. Seu projeto foi desenvolvido para abrigar a nova sede administrativa do estado em uma área situada entre as serras do Carmo e do Lajeado e o então Rio Tocantins, onde posteriormente seria formado o Lago de Palmas.

Essa origem recente é bastante perceptível ao percorrer a cidade. Palmas foi organizada a partir de grandes eixos viários, com avenidas largas e enormes quadras residenciais e comerciais. As distâncias acabam surpreendendo quem pretende conhecer a cidade a pé: algo que parece próximo no mapa pode signific uma caminhada considerável sob o forte calor tocantinense. Ao mesmo tempo, essa organização urbana se mistura com o Cerrado, parques, áreas verdes e o lago, criando uma paisagem bem diferente daquela encontrada em capitais brasileiras que cresceram de forma mais espontânea ao longo de séculos.

Palmas, Tocantins — Capitais Brasileiras

Praça dos Girassóis: o coração monumental de Palmas

Um dos lugares que melhor representa essa proposta urbanística é a Praça dos Girassóis, localizada na região central da cidade. Ela concentra as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Tocantins e reúne alguns dos principais monumentos relacionados à criação do estado e da nova capital.

As dimensões chamam atenção imediatamente. Caminhar pela praça ajuda a entender a escala utilizada no planejamento de Palmas: pontos que parecem relativamente próximos quando observados de longe podem exigir vários minutos de caminhada para serem alcançados. É um espaço monumental, aberto e pensado para destacar tanto os edifícios públicos quanto os símbolos históricos instalados ao seu redor.

Um dos pontos mais curiosos é o chamado Centro Geodésico do Brasil, representado por uma grande Rosa dos Ventos instalada na praça. No centro dela está o Monumento à Bíblia, enquanto o desenho ao redor apresenta os pontos cardeais e colaterais e incorpora grafismos inspirados em povos indígenas tocantinenses. A própria divulgação turística oficial de Palmas apresenta esse espaço como o Centro Geodésico do Brasil, tornando-o um dos marcos simbólicos mais conhecidos da Praça dos Girassóis.

Apesar do nome, prefiro entendê-lo principalmente como um elemento simbólico dentro da concepção urbana da nova capital. Palmas está localizada em uma região central do território brasileiro, e essa ideia de centralidade foi incorporada ao discurso e aos monumentos da cidade. Por isso, mais do que simplesmente passar pelo local e tirar uma fotografia, é interessante observar como o espaço ajuda a contar a história de uma capital que nasceu já com o objetivo de representar um novo estado.

Dominando boa parte dessa paisagem está o Palácio Araguaia, sede do Poder Executivo do Tocantins e uma das construções mais emblemáticas da cidade. Sua localização não é casual: o palácio ocupa uma posição de destaque dentro da Praça dos Girassóis e funciona como uma das principais referências visuais do centro administrativo.

O edifício também ajuda a transmitir a característica mais marcante de Palmas: praticamente tudo ali foi pensado como parte de um projeto maior. O palácio não aparece isolado na cidade, mas integrado a monumentos, grandes avenidas e aos demais prédios governamentais. O resultado é um espaço que funciona ao mesmo tempo como sede política e como representação visual da criação do Tocantins.

Ao redor ainda estão monumentos como a Súplica dos Pioneiros, o Memorial Coluna Prestes, projetado por Oscar Niemeyer, e outras obras ligadas a diferentes momentos da história do Tocantins e do Brasil.

Mais do que um ponto turístico isolado, a Praça dos Girassóis funciona quase como uma síntese visual da própria criação do Tocantins: uma nova capital construída para concentrar os poderes administrativos e, ao mesmo tempo, ajudar a construir simbolicamente a identidade do novo estado.

Parque Cesamar: um lado mais verde da cidade

Outro ponto que visitei foi o Parque Cesamar, uma das principais áreas verdes de Palmas.

Depois da monumentalidade da Praça dos Girassóis, o Cesamar apresenta uma cidade completamente diferente. O parque possui lago, vegetação típica do Cerrado, áreas de convivência e uma pista de aproximadamente 2,8 quilômetros, utilizada principalmente para caminhada e corrida. Também existem academia ao ar livre, espaços esportivos, áreas para piquenique, playground e outros equipamentos de lazer.

Percorri praticamente todo o circuito ao redor do parque. Minha expectativa era encontrar as famosas capivaras que costumam aparecer por ali, mas, desta vez, elas resolveram não dar as caras. Em compensação, consegui observar peixes no lago, lagartos e bastante da fauna e da vegetação local.

O que mais gostei no Cesamar foi justamente esse contraste. Embora esteja dentro de uma capital planejada e relativamente nova, bastam alguns minutos de caminhada para que a paisagem urbana desapareça parcialmente e o Cerrado ganhe espaço.

É um dos locais que ajudam a lembrar que Palmas não é apenas uma cidade de avenidas largas e prédios administrativos. A natureza ainda ocupa uma parte importante da experiência urbana.

Capim Dourado Shopping: uma pausa no calor

Em uma cidade onde o calor pode ser bastante intenso durante boa parte do dia, incluir algum programa em ambiente climatizado acaba sendo praticamente estratégico.

Foi nesse contexto que conheci o Capim Dourado Shopping, um dos principais centros comerciais da cidade. Inaugurado em 2010, o empreendimento reúne lojas, serviços, gastronomia e entretenimento e passou por uma expansão em 2015.

O shopping não é exatamente o tipo de atração que define uma viagem, mas conhecer esses espaços também ajuda a perceber um pouco da rotina cotidiana da cidade. No meu caso, serviu principalmente como uma pausa depois de caminhar bastante sob o sol de Palmas.

O próprio nome remete imediatamente a um dos grandes símbolos do Tocantins: o capim-dourado, matéria-prima bastante conhecida pelo artesanato produzido no estado.

Praia da Graciosa: o pôr do sol como atração principal

Se existe um momento que eu considero praticamente obrigatório em Palmas, é reservar o fim da tarde para a Praia da Graciosa.

A praia fica às margens do Lago de Palmas e possui aproximadamente 520 metros de orla, com bares, restaurantes, quadras esportivas, marina, píer e áreas de convivência. A própria Prefeitura destaca o local como a principal praia da cidade e recomenda especialmente acompanhar dali o pôr do sol sobre o lago.

E aqui aparece uma das características mais interessantes de Palmas para quem, como eu, vem de uma região próxima ao litoral: em Palmas, praia não significa mar.

As praias da cidade são formadas às margens do enorme lago criado a partir do Rio Tocantins com a implantação da Usina Hidrelétrica de Lajeado. O lago passou a fazer parte definitivamente da paisagem da capital e hoje possui vários espaços utilizados para banho, lazer, esportes e contemplação.

 

Foi na Graciosa que acompanhei um dos momentos mais bonitos da viagem: o pôr do sol sobre o lago. Conforme o sol começa a baixar, o calor diminui, mais pessoas ocupam a orla e a paisagem ganha tonalidades completamente diferentes.

É um contraste interessante com a Palmas monumental da Praça dos Girassóis. Enquanto a praça representa a cidade planejada, política e institucional, a Graciosa mostra uma Palmas muito mais descontraída.

Ali, no fim da tarde, a cidade parece desacelerar.

O que ainda quero conhecer em Palmas

Nem todos os lugares que eu queria conhecer couberam nesses poucos dias.

Um deles foi a Ilha do Canela, localizada no Lago de Palmas e facilmente avistada a partir de algumas áreas da orla. A ilha surgiu com a formação do próprio lago e recebeu esse nome em homenagem ao antigo povoado Canela, ligado à história da região onde posteriormente seria construída a nova capital. Atualmente funciona como espaço de lazer, com balneário, restaurante, área de camping e estrutura para receber visitantes.

O acesso é feito por embarcações e, como eu estava com pouco tempo disponível na cidade, preferi não tentar encaixar o passeio de forma corrida.

A Ilha do Canela, portanto, entrou diretamente na lista de lugares para conhecer em uma próxima passagem por Palmas. Com mais tempo, a ideia seria reservar algumas horas exclusivamente para atravessar o lago, conhecer melhor a ilha e observar a cidade a partir de outra perspectiva.

A Ilha do Canela não foi o único lugar que ficou de fora.

Um dos destinos que mais gostaria de incluir em uma segunda viagem é Taquaruçu, distrito localizado a aproximadamente 32 quilômetros do centro de Palmas. A região é bastante diferente da área urbana da capital, cercada por serras, vegetação do Cerrado, trilhas e diversas cachoeiras. É também um dos principais destinos de ecoturismo do município.

Taquaruçu merece praticamente um roteiro próprio. Pela distância e pela quantidade de atrações naturais existentes na região, tentar encaixá-lo nesta primeira passagem provavelmente significaria conhecer tudo de forma apressada. Prefiro deixar para voltar com mais tempo e dedicar um dia inteiro ao distrito.

Também ficou a vontade de explorar melhor a região da Serra do Lajeado, onde existem trilhas, mirantes naturais e paisagens que permitem observar Palmas e o lago de outros ângulos.

Além disso, ainda existem outras praias de água doce e áreas às margens do Lago de Palmas que podem entrar em uma próxima viagem.

Ou seja: apesar de ter conseguido conhecer alguns dos principais cartões-postais da cidade, a lista de lugares para uma segunda visita já começou.

Uma capital diferente das demais

Visitar Palmas foi especialmente interessante dentro do projeto Capitais Brasileiras justamente porque ela foge de muitos padrões encontrados nas demais capitais do país.

Aqui não existe um grande centro histórico colonial formado ao longo de séculos. A cidade praticamente nasceu junto com o próprio estado que representa. Seus principais edifícios, avenidas e monumentos foram planejados desde o início para formar uma nova capital.

Mas reduzir Palmas apenas a isso seria um erro.

Ao redor daquele planejamento inicial surgiu uma cidade que desenvolveu sua própria relação com o Cerrado, o clima, o Lago de Palmas e a cultura tocantinense. As praias de água doce, os parques, as cachoeiras próximas e a vida cotidiana das quadras mostram que a cidade já ultrapassou bastante a ideia de ser apenas uma capital administrativa construída no fim dos anos 1980.

Minha passagem foi curta, mas suficiente para conhecer diferentes faces de Palmas: a monumental na Praça dos Girassóis, a verde no Parque Cesamar, a cotidiana no Capim Dourado Shopping e a contemplativa na Praia da Graciosa.

Ainda ficaram lugares por conhecer.

E talvez essa seja uma das melhores razões para voltar.

Palmas foi mais uma capital adicionada ao mapa do projeto Capitais Brasileiras. E a viagem continua.

Palmas, Tocantins — Capitais Brasileiras