Garanhuns: um fim de semana entre vinhos, queijos e novas descobertas no Agreste pernambucano

Durante três dias, explorei os encantos de Garanhuns, no Agreste pernambucano, em uma viagem especial ao lado da minha mãe e da minha avó. Entre paisagens, vinícolas e histórias surpreendentes, descobri uma cidade que me deixou com vontade de voltar.

Garanhuns sempre despertou minha curiosidade. Conhecida como a Cidade das Flores, no interior de Pernambuco, ela é um daqueles destinos que chamam a atenção pelo clima ameno, pelas paisagens e por uma identidade cultural bastante particular.

Em agosto de 2026, finalmente tive a oportunidade de conhecer um pouco mais desse lugar. A viagem aconteceu durante a primeira edição do Festival de Vinhos e Queijos de Garanhuns, realizado entre os dias 28 e 30 de agosto, que reuniu gastronomia, música e produtores na Praça Mestre Dominguinhos. Prefeitura de Garanhuns 

Mas havia algo que tornava essa experiência ainda mais especial: dessa vez, eu não estava viajando sozinho. Minha mãe e minha avó me acompanharam nessa aventura. Para minha avó, aquela seria sua primeira viagem de passeio. E poder compartilhar essa experiência com ela acabou dando um significado diferente aos três dias que passamos na cidade.

Nosso objetivo era conhecer alguns dos principais pontos turísticos de Garanhuns, aproveitar a atmosfera do festival e descobrir o que fazia daquele município um destino tão conhecido em Pernambuco. O que encontrei foi uma cidade cheia de lugares interessantes, histórias curiosas e paisagens que certamente merecem uma segunda visita.

A Cidade das Flores faz jus ao nome

Uma das nossas primeiras paradas foi no famoso Relógio das Flores, um dos cartões-postais mais conhecidos de Garanhuns.

Localizado na Praça Tavares Correia, o monumento chama a atenção por seu formato e pela vegetação cuidadosamente organizada ao seu redor. Construído em 1979, o relógio possui aproximadamente quatro metros de diâmetro e se tornou um dos símbolos turísticos da cidade. Guia Garanhuns

O que mais me chamou a atenção, entretanto, não foi apenas o relógio, mas todo o ambiente que o cerca. As flores coloridas, os jardins e a arborização ajudam a criar uma paisagem bastante agradável. É o tipo de lugar que nos convida a diminuir o ritmo, observar os detalhes e, naturalmente, fazer algumas fotografias. Estar ali também me fez compreender melhor por que Garanhuns recebeu o apelido de Cidade das Flores. Não se trata apenas de um título turístico. A vegetação e os espaços verdes realmente fazem parte da identidade visual da cidade.

O perfume dos eucaliptos no Parque Euclides Dourado

Outro lugar que conhecemos foi o Parque Euclides Dourado, também chamado de Parque dos Eucaliptos. O espaço é conhecido por suas árvores imponentes, que proporcionam sombra e ajudam a criar uma atmosfera bastante diferente daquela que encontramos em muitas áreas urbanas. Uma das coisas mais interessantes da visita foi perceber o aroma característico dos eucaliptos espalhado pelo ambiente. Enquanto caminhávamos e observávamos a vegetação, minha avó começou a compartilhar algumas de suas experiências com aquela planta. Ela contou sobre os usos tradicionais do eucalipto, incluindo preparações caseiras que conhecia, como chás, banhos e até sua utilização na fabricação de produtos de limpeza.

Foi um daqueles momentos espontâneos que tornam uma viagem interessante. Enquanto eu estava preocupado em conhecer e registrar os lugares, minha avó trazia consigo um repertório de conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Aquela conversa me fez perceber como uma mesma paisagem pode despertar experiências completamente diferentes nas pessoas. Para mim, o parque representava uma descoberta turística. Para ela, os eucaliptos também estavam associados a lembranças e saberes de seu cotidiano.

E talvez essa seja uma das coisas mais interessantes de viajar acompanhado: os lugares passam a ser observados não apenas pelos nossos olhos, mas também pelas histórias de quem está conosco.

Descobrindo a produção de vinhos em Garanhuns

Nossa viagem coincidiu com um momento especial para a cidade: a realização do seu primeiro Festival de Vinhos e Queijos. Embora o Nordeste seja frequentemente associado às praias, ao sol e às temperaturas elevadas, Garanhuns apresenta características diferentes. Localizada em uma região de altitude, a cidade possui condições climáticas que vêm favorecendo o desenvolvimento da vitivinicultura, atividade relacionada ao cultivo de uvas e à produção de vinhos.

O município já conta com vinícolas que ajudam a fortalecer esse segmento e a ampliar as possibilidades de turismo rural e gastronômico. Prefeitura de Garanhuns Durante nossa estadia, tivemos a oportunidade de visitar uma dessas propriedades. A experiência foi interessante não apenas pelo universo da produção de vinhos, mas também pelas paisagens e pelo contato com o ambiente rural. Encontramos uma propriedade cercada por vegetação, com um lago e animais que tornavam o passeio ainda mais agradável. E foi justamente nesse cenário que minha avó voltou a protagonizar um dos momentos mais curiosos da viagem.

O castelo de um homem que decidiu transformar um sonho em realidade

Entre todos os lugares que visitamos em Garanhuns, um dos que mais despertaram minha curiosidade foi o Castelo de João Capão. À primeira vista, encontrar uma construção com características de um castelo medieval no interior de Pernambuco já é algo bastante inusitado. Mas o que torna esse lugar realmente interessante não é apenas sua arquitetura. É a história por trás de sua construção. João Ferreira da Silva, conhecido como João Capão, era um trabalhador que atuava como encanador e eletricista. Desde a infância, alimentava o desejo de construir seu próprio castelo. O sonho surgiu depois que ele assistiu a um filme que retratava reis, rainhas e castelos. Aquela experiência despertou sua imaginação e se transformou em um objetivo que o acompanharia durante décadas. Mesmo enfrentando limitações financeiras, João começou a transformar a ideia em realidade.

Durante mais de trinta anos, dedicou parte de sua vida e de seus recursos à construção. Quando faleceu, em 2016, deixou uma obra ainda inacabada, mas que já havia se tornado um dos pontos turísticos mais conhecidos de Garanhuns. Diario de Pernambuco Conhecer essa história antes de observar a construção muda completamente a maneira como enxergamos o lugar. O castelo deixa de ser apenas uma atração curiosa para se tornar o registro material da persistência de uma pessoa comum. Durante nossa visita, entramos no espaço, observamos seus detalhes e aproveitamos para fazer algumas fotografias. Mas a principal lembrança que levei dali foi justamente a trajetória de seu idealizador. Achei especialmente interessante pensar que uma pessoa sem grandes recursos conseguiu construir algo que, décadas depois, continuaria despertando o interesse de visitantes.

O Castelo de João Capão é um lembrete de que os lugares também podem contar histórias sobre os sonhos, as dificuldades e a determinação de quem os construiu. E são justamente essas histórias que gosto de descobrir durante minhas viagens.

Uma parada para contemplar Garanhuns

Depois da visita ao castelo, seguimos para um santuário da região. O local proporcionou outra perspectiva da cidade, com uma bela paisagem que convidava à contemplação. Depois de conhecer espaços movimentados, áreas verdes e construções tão particulares, aquela parada acrescentou uma experiência diferente ao nosso roteiro.

Garanhuns possui essa característica interessante: em um mesmo destino, é possível encontrar atrações urbanas, propriedades rurais, espaços religiosos e monumentos associados a histórias bastante singulares. Essa diversidade foi uma das coisas que mais me agradaram durante a viagem. A cidade oferece oportunidades para diferentes tipos de visitantes, desde aqueles interessados em sua programação cultural até quem prefere conhecer paisagens e explorar lugares mais tranquilos.

Ao final dos três dias, fiquei com a sensação de que ainda havia muito para conhecer em Garanhuns. A cidade possui um calendário cultural movimentado e diferentes atrações que certamente justificam novas visitas. O Festival de Vinhos e Queijos foi uma ótima oportunidade para descobrir esse destino, especialmente por apresentar outra dimensão do potencial turístico e gastronômico do interior pernambucano.

Entretanto, quando penso nessa viagem, percebo que minhas principais lembranças não estão relacionadas apenas aos lugares que conheci. Lembro das conversas com minha avó no Parque Euclides Dourado, das histórias que ela compartilhou durante nossa visita à propriedade rural e da oportunidade de explorar uma cidade ao lado de duas pessoas importantes para mim. O fato de aquela ter sido a primeira viagem de passeio da minha avó tornou tudo ainda mais significativo.

Gosto de viajar porque cada destino oferece a oportunidade de conhecer paisagens, culturas e histórias diferentes. Mas essa experiência também me lembrou de que as pessoas com quem compartilhamos esses momentos podem ser tão importantes quanto os lugares visitados.

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